domingo, 29 de janeiro de 2012

Foram nove dias. — Annabelle olhou para mim e soltou as palavras como se um tipo de bomba assim que eu abri os olhos.
— Dez dias do que, Anna? — eu tinha acabado de acordar, não ia conseguir digerir tudo agora.
— Enquanto você tava dormindo você disse o nome dele. Dava agonia, sabe? Acho que entendi porque você não queria ficar sozinha nesse tal de vinte e seis de janeiro. Você ficou aí repetindo que queria de volta, e puxando o lençol como se alguém tivesse te torturando.
— Nossa. — eu não conseguia dizer mais nada.
— É, nossa. Mas, enfim, em meio disso tudo aí você acabou por sussurrar “dia dezessete”.
— Foi o dia em que eu o conheci.
— É. Nove dias. Você se apaixonou por ele em nove dias.
— Foi só isso?
— Isso deve ser raro.
— Amor não é raro. — eu me virei pra outro lado e me cobri o máximo que pude, atordoada.
— Ah, pequena… amor pode até não ser, mas essa coisa que você sente parece que vai te matar.
— Não é como se eu estivesse viva.
— Mas amor serve pra isso, te fazer vivo.
— Acontece, Annabelle, que é o meu amor que tá vivo, não eu. — houve um silêncio enorme antes de eu completar o que queria dizer — Faz sentido?
— Não, não faz.
Eu fiquei um tempo encarando o ventilador girar por um tempo, e ela ficou torcendo mais ainda o cachinho que tava caído no travesseiro. Nada do que eu dizia nunca fazia sentido. Mas, até aí tava certo, porque não fazer sentido era o que fazia sentido. É extremamente confuso, mas é isso. Amar alguém não é simples. Nunca seria.
— A dor é a única coisa que me mostra que eu ainda tenho que respirar.

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